Resenha Fardo de Sangue

E cá estamos para mais uma resenha, e falaremos sobre Fardo de Sangue.




Eu lembro que quando vi sobre o livro a primeira vez, lembro de ter ouvido algo sobre ser uma releitura de Carrie, a Estranha do mestre Stephen King, e só. Agora depois de ler tenho algumas coisas a dizer, e a primeira delas é que, não li nenhuma sinopse antes da leitura fora o comentário alheio do qual tinha o conhecimento.

Em vários momentos pude sentir um leve copia e cola em diversas partes, entendo que por ser uma releitura, coisas parecidas poderiam acontecer, mas por exemplo, o fato de Carrie quase ter um treco quando menstruou a primeira vez, e aqui isso acontecer novamente, achei um pouco... copia, mas não faz igual.

Temos personagens interessantes aqui, dignos de debate como Jules a melhor amiga de Wendy, que claramente tem problemas com pessoas negras, além de não enxergar sua posição de privilégio, nem suas falas e ações racistas. Seu pensamento é bem infantil ao longo do livro, e ela sempre faz algo que incomoda quando aparece em cena.

Kenny ou Kendrick, é um garoto negro que pelo jeito nunca parou de verdade para pensar sobre o que é ser um garoto negro, provavelmente por conta de ter um pai rigoroso que o controla por conta de Kenny gostar de futebol americano e querer ser um jogador. E que infelizmente só tem um certo destaque por conta de ser um bom jogador.

Wendy, a namorada de Kenny, uma garota branca, mas diferente de Jules não tem tantos privilégios assim. Tendo isso em mente ela sempre trabalhou sua imagem social para não ser... excluída ou deixada de lado por conta de não ser... rica?! Sempre sendo aquela garota boa, que gosta de ajudar, que sempre participa das ações da escola. Mas como conviveu com J boa parte de sua vida, ela não enxergava os problemas nas falas e ações de Jules.

A irmã de Kenny também é uma personagem interessante, Kali, que é bem envolta nas pautas que envolvem a história afro-americana, como por exemplo a criação do Sindicato dos Estudantes Negros, após alguns casos de racismo contra alguns alunos.

Mas não podemos deixar de lado a personagem que, por diversas vezes achei que não seria a personagem principal. Ao longo do livro, imaginei que a autora estava trazendo ... como a protagonista, ou até mesmo Wendy, mas enfim. Maddy é bem uma cópia de Carrie, o que mais muda aqui é: ela é criada pelo pai, Thomas Washinton, um cara que aparentemente ficou travado nos anos 50/60, e que trata a filha de forma bem rígida e retrograda.



Tentando não dar spoilers, Fardo de Sangue bebe e quase se afoga na fonte de Carrie, com algumas mudanças como a criação de Carrie (em relação ao armário de orações que aqui sofre uma mudança que se adequa na temática do livro). Falemos também da cidade onde a história se desenrola, Springfield. Uma cidade claramente racista e que pelo jeito também vive presa nos anos 60, começando pelo fato de que, a escola da cidade realiza aqueles famosos bailes de formatura, em áreas separadas, onde um se chama baile branco e o outro baile preto.

Em um resumo maior ainda, O Fardo de Sangue se utiliza de Carrie a Estranha e tenta de uma forma, se utiliza da formula de O Exorcista de William Peter Blatty, que tenta nos deixar com o questionamento de: será que realmente aquilo aconteceu, como algo sobrenatural, ou se aqui temos um caso de coincidências, como a explosão de um reator, somado a um ‘triangulo das bermudas que atrai desgraças como um bando de corvos, ou algum mal funcionamento da linha do trem que faz o mesmo descarrilhar em cima de um celeiro cheio de estudantes.

E finalmente, O Fardo de Sangue foi uma leitura que me ajudou a sair de uma leve ressaca literária, muito por conta da mudança de rotina, tanto que fiquei surpresa pelo fato de ter lido 45% do livro de uma vez só sem mesmo notar. Apenas leiam.

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